Sessões

Manuel Teixeira-Gomes (nascido em 1860 em Portimão; falecido em 1941, em Bougie, na Argélia, onde viveu os últimos dez anos de vida num exílio voluntário feito de isolamento e apenas ocupado pela criação literária) – foi um espírito eminentemente livre. Soube sempre preservar a independência das suas convicções tanto éticas como cívicas. Implantada a República, tudo deixou (família, negócios de produtor abastado de frutos secos, criação literária) para servir o novo regime como representante de Portugal em Londres. Revelou-se um diplomata de talento tanto a nível bilateral na defesa da jovem República portuguesa, como a nível multilateral nas negociações de paz que conduziram à assinatura do Tratado de Versalhes e à criação da Sociedade das Nações, da qual foi vice-presidente.
Foi eleito Presidente da República em 1923. Foi um Presidente de grande elevação cívica e moral, empenhado em procurar consensos, num período muito conturbado do país. Face à profunda instabilidade social e política, marcada pela fragmentação e crise dos partidos, e por tentativas sediciosas de derrube da ordem constitucional, dispondo de poderes limitados – o Presidente Teixeira-Gomes renuncia ao seu mandato ao fim de pouco mais de dois anos.  Afasta-se do país, partindo para um exílio voluntário no mediterrâneo que lhe lembra o seu luminoso Algarve – e não mais regressou. Manteve uma correspondência regular com amigos próximos, literários e artistas, e com a família.
 Viajante cosmopolita, amante da arte e da beleza, aberto à diversidade das culturas, deixou-nos um legado literário de grande riqueza de temas e, no plano estilista, é reconhecidamente um dos maiores de toda a literatura portuguesa.